terça-feira, 9 de março de 2010

BONS JOGADORES, TIME MUITO RUIM


Ontem o Palmeiras venceu por 3x2 o Sertãozinho, no palco máximo do paulistão, a arena Barueri. Analiso a tábua de classificação e só encontro o Sertãozinho após ler os nomes de todos os demais 19 clubes participantes. Este era o time que vencia o Palmeiras por 2x1, de virada, até os 38 minutos do segundo tempo. E friso que vencia de virada porque se tem uma coisa difícil no futebol é um pequeno virar um escore para cima de um grande. Levar o primeiro gol do jogo costuma ser a lápide de um time sem camisa, sem porte para tomar as rédeas da disputa e outorgar uma virada.

Pois ontem isto ocorreu. Ocorreu porque o Palmeiras é um time muito ruim. Repito: o Palmeiras é um time muito ruim. E veja que estou sendo delicado já que, por dura que pareça, a afirmação chama este Palmeiras de time. Chamar de time ruim torna-se uma concessão, pois creio que o tal escrete não mereceria ser chamado de time. Time é um grupo que atua em conjunto, une esforços para um bem maior. No Palmeiras ainda não se viu isto. O que se vê é cada um tentando fazer o seu. Discordo dos que acham que falta atitude, falta dedicação. O problema é que dedicam-se a si próprios, não ao time. E por isso não há time.

Mas há bons jogadores. Alguns muito bons até. Pierre é um deles. Repito o que já escrevi em um texto anterior: para mim Pierre deveria estar na Africa em junho. Este é o melhor volante brasileiro em atividade em qualquer canto do mundo. Não há como driblar Pierre. Pierre é "indriblável"! Se houvesse nos escaltes uma estatística de percentual de desarmes, e não somente o total de desarmes como há, Pierre lideraria ano após ano este quesito. Outros volantes podem até terminar um jogo com mais desarmes do que ele, mas certamente levaram mais dribles e erraram mais desarmes do que o 5 palestrino. O número de falhas dele, Pierre, nos desarmes, é sempre zero. Se o Palmeiras toma gols (e como os toma!) é porque o adversário conseguiu fazer com que a bola não passasse por perto de Pierre. Pode examinar as imagens, elas ao contrário de mim são frias de doer.

E se não bastasse Pierre, ainda há ali o pouco badalado mas muito eficiente Cleiton Xavier. Ele decidiu de novo. Quando parece impossível, Xavier vai lá e decide. Foi assim na Libertadores do ano passado, lembra? No Chile, o meia desferiu um petardo tão longínquo quanto inapelável, no finalzinho do jogo, realizando no angulo superior direito a improvável classificação do time para a fase seguinte.

Ontem Cleiton Xavier, meia, fez um gol de cabeça quase na pequena área, e outro de centroavante oportunista na última bola do jogo, aquela que só entra se sair de pés predestinados ao triunfo.

Se os atletas entenderem o conceito de time, de coletivo, de jogar uns para os outros e não para si e somente para si, o Palmeiras de Cleiton, Pierre, Diego Souza e São Marcos pode, até, virar um time de futebol. O final do jogo de ontem pode ter sido um marco para isso.

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