domingo, 7 de março de 2010

QUE JOGO!

1x1
Nesta tarde optei pelo clássico entre Portuguesa e Santos em detrimento ao jogo da TV, São Caetano e Corinthians. Que sorte a minha. Fazia tempo que eu não via um jogo de futebol tão intenso e tão bom como este confronto do Canindé. É bem verdade que não deixaram Neymar brilhar. Também é fato que os lusos afogaram o ganso, digo, Paulo Henrique quase não apareceu. Robinho não vivia a sua melhor tarde. O cerebral Marquinhos começou no banco. E então você exclamará interrogando e indignado: “E como é que o digníssimo blogueiro pode reputar este encontro como o clássico do ano?!?” Pois é, não sei. Só sei que foi assim. Um baita jogo!


A Portuguesa parecia disputar seu último jogo, o derradeiro match de suas vidas. Retrancou-se e limitou-se a impedir o jogo mágico dos meninos da vila? Nunca, em momento algum. Marcou como nunca e também jogou como nunca. Que delícia de ver esta lusa! Jogasse assim duas vezes por semana e terminaria o ano fazendo o Barcelona de Messi parecer o Olaria. Que aplicação, que ocupação de espaços, que movimentações. ATHIRSON! Não leitor, não precisa me desejar saúde, isto não foi um espirro. O agora meia Athirson foi para mim o nome do jogo. O veterano ex-lateral esquerdo de nome onomatopéico voltou às origens e atuou em seu habitat nato, deflagrando o caos na ala direita peixeira. Com Athirson por ali o Santos não via a pelota, nem atacando nem defendo. Recebendo o suporte do jovial Fabrício, que voltava para compensar a óbvia perda física que os anos trouxeram ao companheiro, Athirson protagonizou umas 15 boas jogadas só na primeira etapa, com bola e sem bola, repito. Tanto foi assim que Dorival Junior, o mister santista, perdendo por um a zero e vendo a vaca, ou melhor, a baleia indo para o brejo, mudou seu lado direito ainda aos 30 minutos do primeiro tempo, tirando do jogo o volante improvisado de lateral Brum para a entrada do meia-armador Marquinhos, e deslocando Wesley para a lateral direita e pedindo desesperadamente para que Robinho agisse como um verdadeiro ponta direita, a fim de infernizar a vida de Athirson. E o legal é que deu certo! Athirson continuou jogando muito bem, mas agora se via obrigado a fazer uma baita força para isso. E a lusa chegava com passes rápidos, e o Santos respondia com tramas maquiavélicas. O segundo tempo foi parecido, mas agora com domínio santista mais evidente, mesmo que com a lusa levando muito perigo em contra-ataques muito bem desenhados. Na pressão do Santos destacou-se o goleiro Fábio, da lusa, com seus dois metros de altura e mais não sei quantos de coragem. Havemos de convir: um sujeito de dois metros de altitude com as dádivas da agilidade e do reflexo? Só pode terminar sendo um excelente goleiro, como o é.

Athirson, destaque do jogo.

Mas nem os pulos de gato de Fábio foram freio suficiente para a conspiração dos céus. Este grande confronto não poderia cunhar perdedores. Placar injusto? Injusto mesmo seria alguém sair dali derrotado. Ao soar do apito final ficou a alegria de ter assistido ao belo jogo, representada nos aplausos das duas torcidas. Nem o juiz podia ser vaiado no Canindé. Alguns lusos podem ter ficado com sabor de derrota, por levar um empate aos 44 minutos. Alguns santistas podem sentir frustração por não obter um recorde histórico de vitórias consecutivas. Certezas? Só tenho uma. Portuguesa e Santos levam o campeonato paulista a sério, e comerão grama, como comeram hoje, até o último segundo dos acréscimos. Talvez comer grama seja o ingrediente transcendental que divide as partidas entre meros jogos e imortais confrontos. E nenhum jogador deixou o Canindé com fome. Na inspeção para manutenção do campo, na manhã seguinte, haverá um grande susto: não deve ter sobrado sequer uma folha inteira de grama no palco do melhor jogo do ano até agora.

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