sexta-feira, 19 de março de 2010

ESPETÁCULO NÃO É OBRIGAÇÃO? É SIM SENHOR!

O São Paulo ontem recebeu um excelente público no Morumbi para o seu confronto, pela Copa Libertadores, contra o "fiel da balança" do grupo 2, o fraquinho Nacional do Paraguai. Mais de 31 mil pessoas foram apoiar um time que não empolga, contra um adversário que não empolga, em um horário que empolga menos ainda (quinta-feira quase às dez). E o torcedor, que chegou em casa já na madrugada de sexta-feira, até que chegou contente. O tricolor viveu a noite dos "finalmente":
  • Finalmente temos um time titular;
  • Finalmente o Dagoberto está tendo sequência;
  • Finalmente Marcelinho Paraíba e Cicinho foram sacados do time (têm que entrar em forma primeiro);
  • Finalmente Cleber Santana disse a que veio;
  • Finalmente somos líderes da chave.
Só faltou um "finalmente", justamente o mais esperado: o time ainda não jogou o que se espera. Jogou bem, jogou direitinho, ganhou por 3 a 0. Mas jogar direitinho e ganhar é obrigação para os jogadores de um Bragantino, de um São Caetano. Os jogadores do São Paulo, o único hexacampeão brasileiro sem asterisco, têm obrigação de proporcionar um belo espetáculo de futebol. Que conversa é essa de "se ganhou o presidente e a torcida não podem reclamar"? Recebendo mais de 50 paus em salários por mês, meu queridão, eu exijo no mínimo um lençol e duas canetas por jogo. E não falo de liquidação de loja de departamentos, não. Ainda mais contra o tal do Nacional, que pediu autógrafos ao Rogério Ceni no final do jogo. Durma-se com um barulho desse, em plena madrugada!

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quinta-feira, 18 de março de 2010

TIMÃO FIRME E FORTE

O Corinthians foi forte ontem no Paraguai, contra o cerro Porteño.
Venceu com autoridade, sem nem fazer tanta força. Foi firme e seguro, o tempo todo.

No primeiro tempo Ronaldo não pegava na bola. De fato haviam duas bolas em campo. Uma não via a outra. E a gente começa a pensar, a duvidar se é bom mesmo ter um cara assim tão fora de forma no time, começa a fazer piada, até que... até que acontece o que a gente já sabe. Gol de Ronaldo.

Dizer o quê?! Reclamar do quê?! Faz piada agora, vai! Ronaldo é Ronaldo. E vice e versa.

A atuação firme e forte do timão ontem só deixou um porém: a história de não querer mais jogar quando o jogo já parece ganho. "O Corinthians não quer correr riscos" dizia Cleber Machado na transmissão da Globo. Quer risco maior do que estar só um gol à frente no placar? No último minuto, em bola alçada na área corinthiana, William saltou sobre o corpo do atacante para cortar o cruzamento. Pênalti? Nada. Mas vai que o juiz marca?! Isso pra mim é um grande risco. Souza entrou no jogo e, aos 35 minutos, com muito jogo ainda pela frente, dominou uma bola e levou-a à bandeira de escanteio, em uma daquelas ceninhas patéticas de anti-jogo que os times que vencem insistem em protagonizar. E o que dizer então do contra-ataque em que Jorge Henrique recebeu a bola na meia-esquerda e, visualizando 3 companheiros contra apenas dois oponentes no campo de ataque, resolve agredir a sua própria natureza de jogador rápido e insinuente para frear a bola e recuar o jogo. Inacreditável! Parece até que abrir mais de um gol no placar é feio! Isto que o Jorge fez é anti-jogo. É a mesma coisa que um volante botinudo que dá uma entrada criminosa nas pernas de alguém. Anti-jogo, a torcida deveria pedir o valor do ingresso de volta. E o árbitro deveria puní-los, Souza e Jorge Henrique, com um cartão amarelo para cada um, por prática de anti-futebol.

Mas o que vale, para eles, são os 3 pontos. Quando é que vão entender que são profissionais do entretenimento?


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terça-feira, 16 de março de 2010

O DENTISTA DO TIMÃO

Mano Menezes vai tirar Dentinho do time para o jogo contra o Cerro Porteño, no Paraguai. O artilheiro do timão na temporada, com 5 gols nos últimos 5 jogos, deverá ser substituído por Danilo em nome de uma maior consistência no meio de campo, povoando mais o setor. Se Dentinho fica fora, o dos Dentões vai pro jogo, claro, mesmo jogando petecas. Mas aí está certo o técnico, porque Ronaldo tem que jogar, sempre. Mas deveria ser com Dentinho. Quero dizer, com seus dentões e Dentinho ao seu lado.

E por que Mano quer arrancar o Dentinho? Digo, sacar o artilheiro?
Tá com medo de quê? Olha aí o complexo de vira-latas de novo...
Vai pra cima com os dois, ou melhor, com os quatro: os dois dentões de Ronaldo e os dois dentões de Dentinho. Se arrancar algum o time vai ficar "chocho", e time banguela não faz ninguém ninguém sorrir.

Isto é excesso de respeito. É no Paraguai? É contra o Cerro, time tradicional de lá? Às favas! Vamos pra cima deles que esles entregam! Nenhum time da Libertadores tem qualidade que justifique este temor todo. Nós temos que parar de pensar Libertadores com o rabinho entre as pernas.

Com Dentinho, Dentão e Jorge Henrique os paraguaios abrem o bico. E nem precisaria ter a tal consistência no meio de campo. O Corinthians povoaria a área adversária.

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domingo, 14 de março de 2010

PROCURA-SE

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Algúem viu um São Paulo por aí?!...
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O PALMEIRAS DE ITU

Na semana passada escrevi um texto chamando o Palmeiras de time muito ruim. E frisei:

"Se os atletas entenderem o conceito de time, de coletivo, de jogar uns para os outros e não para si e somente para si, o Palmeiras de Cleiton, Pierre, Diego Souza e São Marcos pode, até, virar um time de futebol"

E então a esquadra palestrina passou uma semana concentrada na cidade de Itu. Segundo o seu treinador o retiro serviria para "criar um ambiente mais fechado". Fiquei feliz ao ler a notícia, por perceber que o técnico Antônio Carlos havia observado e dado a devida atenção ao problema que mais urge em seu Palmeiras: o foco coletivo. E nada como uma semana trancafiados juntos, longe de tudo que envolve o dia a dia, para escancarar a todos a óbvia e ululante situação vexaminosa em que se encontravam. Passar uma semana encarando-se, compartilhando o sentimento de humilhação e de vergonha, pode sim aguçar os brios de um homem. Quanto mais de um grupo deles.

Foi o que se viu do Palestra na Vila Famosa contra o delicioso Santos de Neymar e compania. O time venceu de 4 a 3, e olhe que perdia por 2 a 0. Cadê o time muito ruim? Engrandeceu-se em Itu, onde tudo é grande. Foi na raça, e foi bonito. O Santos decepcionou? Não a mim. O Santos fez o seu jogo, teve excelentes momentos, arrancou-me risadas mais de uma vez. Mas perdeu? E daí! Perde-se, ganha-se, joga-se. É a vida no esporte. Os meninos sentiram na pele que o futebol sorri para todos, e não basta ser genial ou acrobático, é preciso ser melhor do que os outros onze. E o Palmeiras mereceu mais. Foi um duelo brilhante dos dois times, cada um no seu espírito e estilo.

Sobre a expulsão de Neymar, lembremo-nos que falamos de um moleque de 17 anos. É bom que já aprenda cedo sobre as argruras da peleja. Nem punido pelo tribunal poderá ser: ainda é menor de idade, inimputável! A juventude induz ao perdão, por hipnotizar-nos com sua beleza. Então peguemos leve com o príncipe.

Este time mágico do Santos, leve como plumas de Ganso, me fez lembrar o super-esquadrão de Pelé até na derrota. Não há como não relacionar o placar de 3 a 4 com os imortais confrontos entre o Santos bi-campeão mundial e a Academia de Ademir da Ghia e Dudu. Dudu, por sinal, tio do técnico santista Dorival júnior.

A história leciona sobre o presente: se só o Palmeiras parava o Santos de Pelé, eis que agora surge uma camisa verde enorme, direto de Itu, uma gigante barreira do tamanho do futebol dos meninos da vila.


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