domingo, 14 de março de 2010

O PALMEIRAS DE ITU

Na semana passada escrevi um texto chamando o Palmeiras de time muito ruim. E frisei:

"Se os atletas entenderem o conceito de time, de coletivo, de jogar uns para os outros e não para si e somente para si, o Palmeiras de Cleiton, Pierre, Diego Souza e São Marcos pode, até, virar um time de futebol"

E então a esquadra palestrina passou uma semana concentrada na cidade de Itu. Segundo o seu treinador o retiro serviria para "criar um ambiente mais fechado". Fiquei feliz ao ler a notícia, por perceber que o técnico Antônio Carlos havia observado e dado a devida atenção ao problema que mais urge em seu Palmeiras: o foco coletivo. E nada como uma semana trancafiados juntos, longe de tudo que envolve o dia a dia, para escancarar a todos a óbvia e ululante situação vexaminosa em que se encontravam. Passar uma semana encarando-se, compartilhando o sentimento de humilhação e de vergonha, pode sim aguçar os brios de um homem. Quanto mais de um grupo deles.

Foi o que se viu do Palestra na Vila Famosa contra o delicioso Santos de Neymar e compania. O time venceu de 4 a 3, e olhe que perdia por 2 a 0. Cadê o time muito ruim? Engrandeceu-se em Itu, onde tudo é grande. Foi na raça, e foi bonito. O Santos decepcionou? Não a mim. O Santos fez o seu jogo, teve excelentes momentos, arrancou-me risadas mais de uma vez. Mas perdeu? E daí! Perde-se, ganha-se, joga-se. É a vida no esporte. Os meninos sentiram na pele que o futebol sorri para todos, e não basta ser genial ou acrobático, é preciso ser melhor do que os outros onze. E o Palmeiras mereceu mais. Foi um duelo brilhante dos dois times, cada um no seu espírito e estilo.

Sobre a expulsão de Neymar, lembremo-nos que falamos de um moleque de 17 anos. É bom que já aprenda cedo sobre as argruras da peleja. Nem punido pelo tribunal poderá ser: ainda é menor de idade, inimputável! A juventude induz ao perdão, por hipnotizar-nos com sua beleza. Então peguemos leve com o príncipe.

Este time mágico do Santos, leve como plumas de Ganso, me fez lembrar o super-esquadrão de Pelé até na derrota. Não há como não relacionar o placar de 3 a 4 com os imortais confrontos entre o Santos bi-campeão mundial e a Academia de Ademir da Ghia e Dudu. Dudu, por sinal, tio do técnico santista Dorival júnior.

A história leciona sobre o presente: se só o Palmeiras parava o Santos de Pelé, eis que agora surge uma camisa verde enorme, direto de Itu, uma gigante barreira do tamanho do futebol dos meninos da vila.


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