Neymar "carrega" o peso de Pelé: a responsabilidade de suceder o Rei.
Leia abaixo a coluna de Mauro Cezar Pereira, comentarista da ESPN, um dos grandes "entendidos" da TV:
Sim, os grandes jogos do garoto Neymar em 2010 foram, em sua maioria, diante de adversários frágeis, no campeonato paulista e principalmente nos estágios iniciais da Copa do Brasil. Também é fato que nos clássicos o menino esteve bem. De uma maneira, ou de outra, em nenhum deles saiu de campo sem ser notado, sem virar assunto após as partidas.
Contra o São Paulo, ignorou Rogério Ceni ao bater pênalti com paradinha. Sem tal artifício, desperdiçou penalidade diante do Corinthians, mas reagiu e foi decisivo no triunfo santista. Até contra o Palmeiras, em sua pior aparição diante dos rivais, foi expulso mas mostrou que embora imaturo para certas situações, passa longe de ser um pipoqueiro.
O que Neymar faz vai muito além das pedaladas inócuas que não saem do lugar. Incisivo, vertical, objetivo, dribla numa só direção, para a frente, rumo ao gol. Contra equipes frágeis o time mais poderoso tem obrigação de vencer, mas o êxito pode ser construído de diferentes formas. E o talentoso atacante faz tudo com facilidade que impressiona.
O Santos tem aniquilado essas equipes e Neymar ignora os adversários, passa pelos marcadores como se não existissem, que o diga o pobre zagueiro Raul, do Remo, a vítima mais recente. No lance do segundo gol nos 4 a 0 em Belém, o santista sinalizou que passaria pela esquerda e por ali entrou na área com absurda facilidade. Então rolou para André.
O início de Neymar é superior ao de Robinho. Se ele ganhará títulos importantes rapidamente, como aconteceu com o jogador emprestado pelo Manchester City em 2002, é outra questão. Individualmente a nova revelação santista dá claros sinais de que será melhor ainda, um jogador diferente, especial, daqueles que aparecem raramente.
Sempre achei precipitado levá-lo à Copa do Mundo deste ano, mas começo a mudar de ideia. Jogadores especiais merecem tratamento especial. E não custaria cortar um Kleberson, um Ramires, um Júlio Batista, um Felipe Mello, um lateral-esquerdo reserva, já que nem titular absoluto a seleção da CBF tem. Cortar qualquer um desses atletas, bons, mas comuns.
Assim abririam espaço para um jogador especial. Ou melhor ainda, cortar dois e levar Neymar e Paulo Henrique Ganso, pois ambos são muito raros. O meia do Santos tem características inexistentes no elenco habitualmete convocado por Dunga. E é jovem mas de postura madura, com muita personalidade.
"Ah, mais eles não foram testados..." E daí? Na Copa devem jogar os melhores, ora. E esses rapazes que brilham no Santos são superiores a vários dos operários fiéis ao dunguismo cujos passaportes estão carimbados para a África do Sul. Você que lê e discorda, apenas pare e pense no desperdício que está prestes a acontecer.
Em 1978, César Luís Menotti não chamou Maradona, então com 17 anos, para ser campeão do mundo. O título foi arrancado à força e os Deuses do Futebol parecem tê-lo castigado pela heresia, pois o técnico vencedor daquela Copa pouco fez depois dela, seguiu em frente sustentado pelo nome, pela grife na qual se tornou, nada mais.
Neymar e Ganso dificilmente serão gênios como o argentino. Mas é tão improvável quanto que passem pelo futebol discretamente como alguns dos eleitos de Dunga. Mas a seleção da CBF vive uma Era na qual dedicação vale mais do que talento. Como se fosse mais fácil fazer alguém sem talento jogar bem do que transformar craques em jogadores dedicados.
Veja em vídeo, CLICANDO AQUI, o comentário feito pelo mesmo Mauro Cezar, em transmissão da ESPN do jogo do Santos pela Copa do Brasil.
O que você acha sobre Neymar? Levaria o garoto abusado à África?
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