terça-feira, 28 de julho de 2009

VALORIZAÇÃO DO ESPETÁCULO NO FUTEBOL

Fico sempre pensando no que precisa acontecer para que o futebol brasileiro comece a ser tratado por quem o promove como um verdadeiro espetátuculo.

Qual é o objetivo do futebol, mercadologicamente falando? É um mercado de trabalho onde o foco do business é vender jogadores ou promover eventos espetaculares?

A diferença básica entre o mercado europeu e o brasileiro não é a quantidade de dinheiro envolvido, mas sim o foco do negócio. Eles vêem o futebol como um mercado de eventos, de promoção de espetáculo. Nossos dirigentes brasucas vêem o futebol como uma oportunidade de fornecer suprimentos para este outro mercado, o da Europa. Portanto, como já sabemos, mercado do espetáculo só há o da Europa, enquanto nós somos um fornecedor deste mercado.

Antigamente, quando o Brasil ainda não era um país industrializado, ocorria o mesmo com outros mercados, como o de produtos agrícolas, por exemplo. Éramos somente fornecedores de matéria prima, que era transformada em um bem acabado produto no primeiro mundo. Só a elite brasileira tinha acesso a esses produtos finais, vindos de fora. Essa elite começou então a achar que aqueles produtos refinados que eles consumiam poderiam ser apreciados também pela população em geral, desde que produzidos aqui. Só que você, amigo leitor, acha que os produtores de matéria prima estavam preocupados com isso? Ganhavam muito dinheiro vendendo bananas pra Europa, qual é o interesse em vender bananas para os novos industriais tupiniquins? Pode até vender, pagando bem que mal tem? Mas paga melhor que a indústria européia? Não, então desculpe mas continuarei vendendo todas as bananas para os europeus. Se quiserem um produto final refinado, acompanhe as trasmissões da Europa!

E como isso mudou? Quando algum membro desta elite consumidora, os tais novos industriais, resolveram mobilizar-se para melhorar seu poder de fogo e dobrar os produtores através de sua força política e econômica. Trazendo para o século 21 e para o futebol, quem tem interesse em se tornar esta “nova indústria”, ou seja, os que fabricam o produto final refinado para consumo que seriam os jogos e campeonatos? A CBF é que não seria mesmo, já que ela nada mais é do que o despachante aduaneiro que presta serviços e ganha dinheiro com as exportações. Os clubes muito menos, pois são os produtores/fornecedores que estão acomodados com os ganhos da exportação. Só consigo pensar na TV, e talvez não a Globo, que é muito fechada com esse grupo e os esquemas atuais. Mas pode muito bem virar o jogo, pois ganharia muito mais dinheiro se transformasse o nosso celeiro em hipódromo.

Mas para isso a Globo precisa interferir no êxodo. Por isso acho que a criação de uma Liga seria um passo primordial. A Liga faria a gestão do espetáculo, fazendo o meio-de-campo entre TV e clubes, com o foco voltado para a qualidade do espetáculo. Algum cabecinha pequena dirá “Pra quê? Se os clubes ganham milhões vendendo jogador, e precisam desta renda para fechar seus balanços”. Será que preciso dizer que os clubes europeus, que movimentam MUITO MAIS DINHEIRO que os nossos, não ganham nada vendendo jogadores mas sim PROMOVENDO O ESPETÁCULO. E para eles isso é bem mais difícil, pois precisam ir buscar matéria prima fora, quando nós poderíamos ter o mesmo resultado somente com o que temos aqui.

Um bom exemplo de como a Globo trata mal o seu produto foi a não transmissão da final da Libertadores em rede nacional. Não percebem que, tão ou mais importante que a paixão clubística, é a valorização dos torneios para que virem símbolos, para que virem “objeto de desejo” das torcidas. Isso é criar um produto, agregar valor, gerar demanda. Neste último domingo, Palmeiras e Corinthians entravam em campo lado a lado em um belíssimo ritual, debaixo de um show de cores das arquibancadas que formavam um mosaico de cores maravilhoso. A torcida palmeirense formou com painéis as letras S.E.P., iniciais do clube, sobre as cores da bandeira da Itália, origem palestrina. Enquanto tudo isso ocorria no estádio, a tela da Globo ainda mostrava Fausto Silva. Na final da Champions League européia, Andrea Bocelli cantou lindamente a música tema do filme Gladiador enquanto os “gladiadores” modernos entravam em campo no coliseu de Roma, ou melhor, no estádio Olímpico de Roma. Mal me lembro do jogo, mas nunca esquecerei aquele espetáculo inicial.

Isto é valorização do espetáculo, fazer dinheiro através do evento.

Matéria prima temos de sobra. Público consumidor então, nem se fale. O que falta então para sermos a NBA do futebol? Uma entidade que pense só no espetáculo, sem Euricos nem Teixeiras: A LIGA!

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