terça-feira, 28 de julho de 2009

ANDRES SANCHES: “PRA ELES O QUE VALE É O DINHEIRO”

Em sua participação ontem no Arena Sportv, o presidente do corinthians Andres Sanches afirmou que para os jogadores o que vale é o dinheiro. O apresentador Cleber Machado ainda insistiu, perguntado se a vontado do jogador em ficar no clube caso esteja feliz no emprego não conta, e Andres respondeu: “Faz uma proposta maior do que ele ganha e vai ver se ele não fica mais feliz ainda”.

A afirmação, apesar de parecer óbvia nos dias atuais, deixou os comentaristas participantes do programa um tanto irriquietos, especialmente Cleber Machado e o jornalista Vagner Villaron, a quem Andres respondeu exemplificando: “Você mesmo, trabalha aqui na Glogo, está feliz, se vier uma proposta melhor, pra ganhar mais dinheiro, você não vai?”, encerrando a discussão. Villaron ficou com cara de interrogação, mas se absteve ao não propalar sua dúvida sobre a questão. Assistindo, fiquei com a impressão de estar lendo os seus pensamentos. A cara de interrogação me dizia: “… depende! Não é só dinheiro que move o profissional, tem que pesar condições de trabalho, visibilidade, objetivos profissionais, muitas coisas…”. Claro que estou especulando, não posso adentrar o cérebro de ninguém, mas pelas caras dava pra sentir isso, que por sinal é o mesmo que eu sentia aqui, assintindo.

Será possível que a coisa seja assim mesmo? Quero dizer, que é assim é, já que falou alguém que está no núcleo do processo e conhece cada conversa, cada posição tomada em todos os detalhes das negociações. É senhores, é triste mas é verdade, o cara ouve que vai ganhar mais, então pronto.

E essa cegueira é coletiva, pois nem a imprensa consegue questionar muito como vimos no citado programa, excelente programa por sinal. Todos estão programados a aceitar sem questionar essa afirmação: “Ele vai para fazer sua independência financeira!” Papo furado. Se fosse inteligente (ou pelo menos bem acessorado) André Santos nunca deixaria a possibilidade de disputar a Libertadores da América, no ano do centenário, meses antes da Copa do Mundo que é o seu objetivo maior no momento, ou que deveria ser. Quer consagração maior do que ir a uma copa do mundo? E se você só pensa em dinheiro, vai aqui o argumento pecuniário: tanto a Libertadores como a Copa do Mundo representam valorização certa, seja qual for o resultado. Um milhonário desses do novo dinheiro no futebol europeu lê a ficha, e “voilá”.

Outra frase que sempre aparece de mãos dadas com a da independência financeira é a de que “muita gente depende de mim”, referindo-se a familiares e talvez amigos, empresário, barbeiro, etc. Muito interessante ver um jovem que mal criou barba, pois mesmo os mais velhos que saem não têm mais de 25, 26 anos, pensando mais no barbeiro ou na mãe do que em si próprio. Sejamos honestos, não é certo, profissionalmente falando, fazer as escolhas pelos outros e não por si mesmo, já que quem vai entrar em campo e jogar é ele, não o barbeiro e muito menos a mãe. Amanhã a carreira mingua e é capaz do moço, nem que seja só muito intimamente, culpar outros que não a si próprio pelas frustrações. E tem outra, um jogador como o André Santos, e mesmo a maioria dos demais, ^tem condições de pedir um novo contrato ao seu time para ganhar um bom salário, quantia da qual barbeiro nenhum teria coragem de reclamar. Será que não dá pra ajeitar a vida de uma família humilde inteira ganhando 45 mil por mês?! Não, o cara precisa ir se esconder na Turquia e ganhar 200 mil. E não me interprete mal, eu também não rasgo dinheiro, quem não gostaria de ganhar 200 paus? Mas não seria melhor esperar 1 ano e meio e ganhar 150 só que na Espanha, na Itália ou na Inglaterra?

Ah, mas e se o cara for mal no brasileirão, mal na Libertadores, o timão não passa da primeira fase e o cara não for à Copa? É, nesse caso, possível mas improvável (pois se está bem agora nada indica que a coisa irá degringolar tanto), ele vai ter que “se virar” com 45 paus por mês.

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