Olá amigos!
O Brasil caiu e, eu, calei. Nada escrevi ainda sobre a derrocada tupiniquim em campos africanos. Estava me sentindo, até agora, um tanto deslocado no tempo e no espaço quando o assunto era a vitória laranja nas quartas de finais da última sexta-feira. Isto porque me sentia o único a crer que o time amarelo, jogando de azul, não havia se convertido no bagaço da laranja como todos apontavam no pós-match. Achei que o time de Dunga foi o que sempre foi, competitivo, rápido e objetivo nas descidas ao ataque, sólido na defesa mas sem maiores brilhantismos. E, como sempre se deu desde o anuncio de Dunga como técnico, em caso de chegarmos ao intervalo com uma vitória parcial no placar o time trata de jogar o segundo tempo "com inteligência" - ou seria com falta de? -, chamando os rivais para o próprio campo. No dicionário da Branca de Neve, seguido por Dunga e outros anões, jogar "com inteligência" deve significar esperar o oponente, como quem se finge de acuado, para que na menor oportunidade pudéssemos finalizar o adversário em um contra golpe fatal. Os treinadores gostam de chamar isto de "jogar no erro do adversário".
Para mim este é o retrato do jogo. Nada diferente disso poderia se esperar, ou cobrar, desta seleção de "guerreiros" que nunca encantou ninguém pelo futebol, mas que resignava a todos pelos resultados. Poderíamos sim ter vencido a Holanda, jogando exatamente daquela forma, caso Júlio Cesar e Felipe Melo não tivessem marcado um encontro dentro da área do Brasil, justo na hora do jogo. A tática de "jogar no erro" tem este porém: o erro pode ser o seu. Isto é ficar à mercê do erro, seja do lado que for. E o futebol é o jogo do erro, é a própria imprecisão cercada por 17 regras. Errar é humano. Mas acertar também é, e nós brasileiros transformamos o lado ruim em dito popular. Então jogamos no erro do outro. Quando é que jogaremos no nosso acerto? Vejo este momento como um "complexo de vira-latas às avessas", e explico. No tempo de Nelson Rodrigues nossos escretes sofriam do tal complexo canino por julgar-se menor, por inferiorizar-se diante dos gringos, supostamente mais evoluídos e bem educados. Hoje a nossa arrogância futebolística nos leva a uma atitude que beira a blasfêmia, acreditando cegamente que somente o adversário será capaz de errar. Veja se não tenho razão: fizemos 1 a 0 e voltamos para o segundo tempo crentes de que a vitória já fora alcançada com o golaço de Robinho, e que ao segundo tempo só cabia a manutenção das coisas "como elas são", ou seja, basta que não erremos e ganhamos o jogo. Nem precisamos mais acertar! Quanta pompa para nenhuma circunstância. E assim caímos, levando ao chão nossa imensa tromba de melhores do mundo.
O que ninguém na CBF foi capaz de ver é que o erro de 2006 foi cometido novamente em 2010, ipsis literis. O quê, a bagunça, a festa, os treinos de autógrafos? Não amigos, não. O erro de 2006 foi a arrogância, foi a empáfia, foi a tromba. Tromba que na época vinha até com o elefante, vestindo a 9. Mas Dunga e Teixeira acharam que o problema era o elefante, e nos fadaram aos ares terríveis da enorme e ululante tromba, da CBF e de sua intragável cúpula.
Nosso futebol espelha o que vem de cima.
Ele foi límpido, puro e virtuoso nos tempos do marechal da vitória, Paulo Machado de Carvalho.
Ele foi clássico, popular e alegre no tempo mágico de Giulite Coutinho.
Ele é frio, chato e mal humorado nos tempos sombrios de Ricardo Teixeira.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
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